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Material Premium — organização didática para cuidado em LPP

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Material premium • seleção racional de produtos

Guia comparativo para apoio à escolha de coberturas em lesão por pressão

Este material organiza os principais produtos e estratégias de cuidado local de forma didática, facilitando a associação entre exsudato, profundidade, tecido do leito, proteção da pele perilesional e necessidade de suporte sistêmico.

Comparação rápida Linguagem didática Uso acadêmico e assistencial Foco em raciocínio clínico

Como usar este material

A escolha do cuidado local em LPP deve ser orientada por: exsudato, tecido do leito, profundidade/cavidade, risco de macerar a pele perilesional e sinais de infecção. O estágio ajuda a caracterizar profundidade, mas não decide sozinho o produto.

Dica rápida

  • No celular, deslize a tabela para o lado.
  • Reavalie a resposta do curativo e a pele ao redor em cada troca.
  • Siga protocolo institucional e prescrição quando houver.

1. Leia o exsudato

Antes de escolher a cobertura, observe se o volume é baixo, moderado ou alto.

2. Observe o leito

Tecido viável, necrose, esfacelo e odor ajudam a definir o tipo de abordagem.

3. Proteja a pele ao redor

Mesmo uma boa cobertura falha quando há maceração ou trauma perilesional.

Atenção: conteúdo educativo. Condutas clínicas devem seguir avaliação profissional e protocolos do serviço.

Tabela comparativa (produto × exsudato × estágio)

A tabela abaixo foi mantida com os mesmos dados, apenas reorganizada visualmente para leitura mais rápida e comparação lateral mais clara.

Produto (categoria) Exsudato indicado Estágio LPP (uso típico) Para que serve (objetivo) Pontos de atenção
Filme transparente (poliuretano)
proteçãobarreira
sembaixo Estágio 1prevenção Protege contra fricção/cisalhamento e permite inspeção visual. Evitar se exsudato moderado/alto ou pele muito macerada.
Hidrocoloide
ambiente úmidooclusivo
baixomoderado I–II Mantém umidade controlada; pode apoiar autólise em feridas superficiais. Evitar em exsudato alto e suspeita de infecção não controlada; risco de maceração.
Hidrogel
hidrataçãoautólise
sembaixo III–IVferida seca/necrose Doa umidade ao leito seco e favorece desbridamento autolítico quando indicado. Se exsudato alto, pode macerar; necrose seca estável pode ter conduta específica.
Alginato de cálcio
alto exsudatocavitária
moderadoalto III–IV Alta absorção; ajuda a controlar exsudato; pode preencher cavidades sem compactar. Precisa cobertura secundária; evitar em ferida seca; não “tamponar” com força.
Espuma de poliuretano (com/sem borda)
absorçãoconforto
levemoderado II–IV Absorver exsudato e reduzir maceração; proteção contra trauma na troca. Troca conforme saturação; avaliar integridade da pele perilesional.
Carvão ativado com prata
odorcolonização crítica
baixomoderado III–IVquando indicado Controle de odor e suporte antimicrobiano conforme produto/protocolo. Reavaliar periodicamente; não substitui controle de foco e avaliação clínica.
Hidrofibra
gelificaabsorção
moderadoalto III–IVcavidades Forma gel ao contato com secreção, favorecendo manejo do exsudato. Precisa cobertura secundária; evitar em ferida muito seca.
Coberturas antimicrobianas (prata/PHMB/iodo etc.)
suspeita de infecção
dependemoderado–alto II–IVuso criterioso Reduzir carga microbiana local quando indicado por avaliação (colonização crítica/infecção). Uso deve ser reavaliado; seguir protocolo e tempo limitado quando recomendado.
Barreira cutânea (creme/filme)
peleumidade
perilesional todosprevenção Proteger pele ao redor contra maceração, dermatite por umidade e adesivos. Aplicar camada fina; evitar prejudicar aderência quando necessário.

Nota didática: o “melhor” produto depende do contexto. Reavaliação frequente e redistribuição de pressão são determinantes.

1) Soluções para limpeza do leito

Indicadas na etapa inicial do curativo. Objetivo: reduzir biocarga, remover detritos e preservar tecido viável.

Solução fisiológica 0,9% (SF 0,9%) Soluções com polihexanida (PHMB) Ringer Lactato Irrigação sob pressão controlada (quando indicado)

A escolha da solução e técnica deve considerar protocolo do serviço e tolerância do paciente.

2) Coberturas primárias (atuam diretamente no leito)

Hidrocoloide

Indicado com maior frequência em LPP estágio I e II; mantém ambiente úmido controlado.

Hidrogel

Indicado para feridas secas ou com necrose; favorece desbridamento autolítico quando indicado.

Alginato de cálcio

Para exsudato moderado a alto; alta capacidade de absorção.

Espuma de poliuretano

Exsudato leve a moderado; conforto e absorção.

Carvão ativado com prata

Controle de odor; pode ser usado em suspeita de colonização crítica/infecção conforme protocolo.

Hidrofibra

Exsudato moderado a alto; forma gel ao contato com secreção.

Dica: em exsudato alto, priorize materiais absorventes e proteção perilesional para reduzir maceração.

3) Coberturas com ação antimicrobiana

Indicadas quando há suspeita de infecção local ou colonização crítica, conforme avaliação e protocolo. Uso criterioso e com reavaliação periódica.

Prata iônica PHMB Iodo cadexômero Mel medicinal (protocolos específicos)

Se houver piora clínica, sinais sistêmicos ou suspeita de osteomielite, encaminhar para avaliação multiprofissional.

4) Produtos para desbridamento

Quando há tecido desvitalizado (esfacelo/necrose), a técnica depende do caso, local e protocolo.

Enzimático (colagenase)

Auxilia remoção de tecido desvitalizado quando indicado.

Autolítico (hidrogel)

Favorece autólise, especialmente em leito ressecado, conforme indicação clínica.

Mecânico

Uso seletivo e cuidadoso para evitar trauma ao tecido viável.

Cirúrgico (ambiente hospitalar)

Reservado para casos indicados e executado por equipe habilitada.

Atenção: necrose seca estável (ex.: calcâneo) pode ter conduta específica — seguir avaliação vascular/protocolo.

5) Proteção da pele perilesional

Essencial para reduzir maceração, dermatite por umidade e trauma por adesivos.

Cremes barreira (óxido de zinco) Películas protetoras sem álcool Ácidos graxos essenciais (AGE) Espumas de proteção para proeminências ósseas

6) Dispositivos para alívio de pressão

Fundamentais na prevenção e tratamento: sem redistribuição de pressão, a cicatrização tende a falhar.

Colchão pneumático alternado Colchão viscoelástico Almofadas de redistribuição de pressão Coxins posicionadores

Associar reposicionamento programado, redução de fricção/cisalhamento e proteção de proeminências ósseas.

7) Suporte sistêmico (tratamento não é só tópico)

O prognóstico depende de fatores sistêmicos e do cuidado global.

Avaliação nutricional

Proteína, zinco, vitamina C (conforme avaliação) e plano alimentar individualizado.

Controle glicêmico

Hiperglicemia aumenta risco de infecção e retarda reparo tecidual.

Manejo da dor

Planejar analgesia antes da troca e usar técnicas menos traumáticas.

Controle de umidade/incontinência

Reduz dermatite associada à umidade e protege pele perilesional.

Referências

  • EPUAP/NPIAP/PPPIA. Prevention and Treatment of Pressure Ulcers/Injuries: Clinical Practice Guideline. 2019.
  • ANVISA. Notas técnicas e materiais orientadores relacionados à prevenção e manejo de lesões por pressão (Brasil).
  • Wound Healing Society. Diretrizes para tratamento de úlceras por pressão (atualizações em periódicos da sociedade).

Material educativo. Conduta clínica deve seguir avaliação profissional, prescrição e protocolo institucional.