Tratamento da Lesão por Pressão

Guia didático com abordagem prática, profissional e orientações para o cuidado em casa

Condutas fundamentais no tratamento da lesão por pressão

O tratamento da lesão por pressão é construído a partir de quatro pilares: alívio de pressão, manejo adequado da ferida, controle de fatores sistêmicos e prevenção de complicações. A enfermagem exerce papel central na avaliação, acompanhamento da evolução clínica e educação do paciente e da família.

Avaliação contínua Controle da pressão Curativos adequados Segurança no domicílio

Avaliação inicial

Cuidados do técnico de enfermagem na prevenção

O técnico de enfermagem tem papel essencial na prevenção da lesão por pressão por meio da observação contínua, execução dos cuidados prescritos e comunicação precoce de alterações ao enfermeiro.

Condutas preventivas importantes

  • Reposicionar com técnica adequada e atenção à segurança.
  • Preservar a integridade da pele durante banho, troca de fraldas e transporte.
  • Observar pacientes restritos ao leito, sedados, desnutridos ou incontinentes com maior frequência.

Alívio de pressão

Sem redistribuição de pressão, a cicatrização tende a falhar.

  • Reposicionamento programado conforme risco e tolerância.
  • Uso de colchões e superfícies especiais de redistribuição de pressão.
  • Redução de fricção e cisalhamento durante mobilização e higiene.
  • Proteção de proeminências ósseas como sacro, calcâneo e trocânteres.

Limpeza e preparo da ferida

  • Realizar limpeza com solução apropriada conforme protocolo.
  • Controlar a umidade da ferida e da pele ao redor.
  • Proteger a região perilesional contra maceração.
Objetivo: remover detritos, reduzir microrganismos, proteger as bordas e favorecer a cicatrização.

Cuidados do técnico de enfermagem na ferida

No cuidado direto, o técnico de enfermagem deve atuar com técnica segura, observação detalhada e registro adequado, sempre respeitando a prescrição e os protocolos do serviço.

Atenção: o técnico de enfermagem deve comunicar alterações da ferida, piora do aspecto, aumento de exsudato, odor forte, sangramento, dor importante ou sinais de infecção.

Seleção de curativos

A escolha da cobertura depende do volume de exsudato, da profundidade da lesão e do tipo de tecido presente no leito.

Achado Objetivo Conduta Atenção
Pouco exsudato Manter umidade adequada Coberturas protetoras e não traumáticas Evitar ressecamento
Exsudato moderado Absorver secreção Coberturas absorventes Proteger pele ao redor
Exsudato elevado Controlar umidade Coberturas de maior absorção Trocas mais frequentes
Feridas profundas Preencher cavidade Curativos específicos conforme protocolo Não compactar excessivamente

Referências para estudo: diretriz internacional EPUAP/NPIAP/PPPIA (2019) e Nota Técnica Anvisa nº 05/2023.

Desbridamento

  • Indicado quando existe tecido desvitalizado e não há contraindicação.
  • Pode ser autolítico, enzimático, mecânico, conservador ou cirúrgico.
  • Necrose seca estável, especialmente em calcâneo, exige avaliação específica.

Infecção, dor e segurança

  • Dor: planejar analgesia antes da troca do curativo.
  • Infecção: reconhecer precocemente sinais locais e sistêmicos.
  • Segurança: higienização das mãos, técnica adequada e descarte correto dos materiais.

Observação, registro e comunicação

O técnico deve comunicar ao enfermeiro quando houver

  • Nova área de hiperemia ou lesão.
  • Piora do aspecto da ferida.
  • Odor forte ou exsudato purulento.
  • Dor intensa, febre ou alteração do estado geral.

Cuidados em casa

Quando o cuidado é realizado no domicílio, a rotina precisa ser organizada para reduzir risco de piora, contaminação e novas lesões.

Cuidados importantes do cuidador e do técnico no domicílio

  • Não esfregar com força a pele avermelhada.
  • Não massagear proeminências ósseas com hiperemia.
  • Não apertar ou preencher excessivamente cavidades na lesão.
  • Registrar mudanças observadas, como dor, odor, secreção e aumento da ferida.
  • Manter o paciente confortável, seco e protegido de novas áreas de pressão.

Alertas importantes no domicílio

Alguns sinais indicam necessidade de avaliação profissional mais rápida e não devem ser ignorados.

Sinais de alerta

  • Aumento repentino da dor.
  • Odor forte persistente.
  • Secreção amarelada, esverdeada ou purulenta.
  • Febre ou piora do estado geral.
  • Pele muito vermelha, quente ou endurecida ao redor da lesão.
  • Aumento rápido do tamanho ou da profundidade da ferida.
  • Sangramento frequente ou escurecimento progressivo do leito.
  • Sonolência, confusão, fraqueza intensa ou recusa alimentar importante.
Orientação: diante desses sinais, o paciente deve ser reavaliado pela equipe de saúde o mais breve possível.

Fatores sistêmicos que alteram o prognóstico

Quando solicitar avaliação multiprofissional