Condutas fundamentais no tratamento da lesão por pressão
O tratamento da lesão por pressão é construído a partir de quatro pilares: alívio de pressão, manejo adequado da ferida, controle de fatores sistêmicos e prevenção de complicações. A enfermagem exerce papel central na avaliação, acompanhamento da evolução clínica e educação do paciente e da família.
Avaliação inicial
- Estágio da lesão: classificação da profundidade e aspecto geral.
- Tecido do leito: granulação, epitelização, esfacelo ou necrose.
- Exsudato: quantidade, cor, consistência e odor.
- Pele ao redor: maceração, ressecamento, hiperemia e integridade.
- Dor: intensidade e necessidade de analgesia antes da troca.
- Sinais de infecção: aumento da dor, calor local, secreção purulenta ou febre.
- Mensuração: comprimento, largura, profundidade e presença de túneis.
Cuidados do técnico de enfermagem na prevenção
O técnico de enfermagem tem papel essencial na prevenção da lesão por pressão por meio da observação contínua, execução dos cuidados prescritos e comunicação precoce de alterações ao enfermeiro.
- Realizar inspeção frequente da pele, especialmente em proeminências ósseas.
- Observar hiperemia, áreas quentes, endurecidas, dolorosas ou com alteração de coloração.
- Executar mudança de decúbito conforme prescrição e rotina assistencial.
- Evitar arrastar o paciente no leito para reduzir fricção e cisalhamento.
- Manter lençóis limpos, secos, esticados e sem dobras.
- Controlar umidade por suor, urina, fezes ou exsudato.
- Realizar higiene corporal com suavidade, secando a pele sem fricção intensa.
- Aplicar barreira protetora na pele quando indicado pelo protocolo institucional.
- Auxiliar no uso correto de colchões, coxins e superfícies de redistribuição de pressão.
- Estimular hidratação, aceitação alimentar e conforto do paciente, quando possível.
- Registrar os cuidados realizados e qualquer alteração observada.
- Comunicar imediatamente ao enfermeiro sinais sugestivos de risco ou início de lesão.
Condutas preventivas importantes
- Reposicionar com técnica adequada e atenção à segurança.
- Preservar a integridade da pele durante banho, troca de fraldas e transporte.
- Observar pacientes restritos ao leito, sedados, desnutridos ou incontinentes com maior frequência.
Alívio de pressão
Sem redistribuição de pressão, a cicatrização tende a falhar.
- Reposicionamento programado conforme risco e tolerância.
- Uso de colchões e superfícies especiais de redistribuição de pressão.
- Redução de fricção e cisalhamento durante mobilização e higiene.
- Proteção de proeminências ósseas como sacro, calcâneo e trocânteres.
Limpeza e preparo da ferida
- Realizar limpeza com solução apropriada conforme protocolo.
- Controlar a umidade da ferida e da pele ao redor.
- Proteger a região perilesional contra maceração.
Cuidados do técnico de enfermagem na ferida
No cuidado direto, o técnico de enfermagem deve atuar com técnica segura, observação detalhada e registro adequado, sempre respeitando a prescrição e os protocolos do serviço.
- Separar e organizar o material antes do procedimento.
- Realizar higienização das mãos antes e após o cuidado.
- Utilizar técnica limpa ou estéril conforme protocolo institucional.
- Observar quantidade, coloração, odor e aspecto do exsudato.
- Observar tecido de granulação, esfacelo, necrose e integridade das bordas.
- Proteger a pele ao redor da lesão contra maceração e trauma.
- Executar a troca do curativo conforme prescrição do enfermeiro ou rotina definida.
- Evitar manipulação excessiva do leito da ferida.
- Identificar sinais de dor durante o procedimento e relatar necessidade de analgesia.
- Manter técnica segura no descarte de materiais contaminados.
- Registrar o procedimento realizado e alterações encontradas.
Seleção de curativos
A escolha da cobertura depende do volume de exsudato, da profundidade da lesão e do tipo de tecido presente no leito.
| Achado | Objetivo | Conduta | Atenção |
|---|---|---|---|
| Pouco exsudato | Manter umidade adequada | Coberturas protetoras e não traumáticas | Evitar ressecamento |
| Exsudato moderado | Absorver secreção | Coberturas absorventes | Proteger pele ao redor |
| Exsudato elevado | Controlar umidade | Coberturas de maior absorção | Trocas mais frequentes |
| Feridas profundas | Preencher cavidade | Curativos específicos conforme protocolo | Não compactar excessivamente |
Referências para estudo: diretriz internacional EPUAP/NPIAP/PPPIA (2019) e Nota Técnica Anvisa nº 05/2023.
Desbridamento
- Indicado quando existe tecido desvitalizado e não há contraindicação.
- Pode ser autolítico, enzimático, mecânico, conservador ou cirúrgico.
- Necrose seca estável, especialmente em calcâneo, exige avaliação específica.
Infecção, dor e segurança
- Dor: planejar analgesia antes da troca do curativo.
- Infecção: reconhecer precocemente sinais locais e sistêmicos.
- Segurança: higienização das mãos, técnica adequada e descarte correto dos materiais.
Observação, registro e comunicação
- Registrar localização da lesão e alterações observadas durante o plantão.
- Anotar aspecto da pele, exsudato, odor, dor e reação do paciente ao procedimento.
- Informar ao enfermeiro mudanças no tamanho, profundidade ou coloração da ferida.
- Comunicar imediatamente piora clínica, febre, secreção purulenta ou sangramento.
- Registrar dificuldades encontradas no cuidado, como recusa alimentar, baixa mobilidade ou dor intensa.
O técnico deve comunicar ao enfermeiro quando houver
- Nova área de hiperemia ou lesão.
- Piora do aspecto da ferida.
- Odor forte ou exsudato purulento.
- Dor intensa, febre ou alteração do estado geral.
Cuidados em casa
Quando o cuidado é realizado no domicílio, a rotina precisa ser organizada para reduzir risco de piora, contaminação e novas lesões.
- Manter higiene adequada das mãos antes e depois do contato com a ferida.
- Preparar um local limpo, bem iluminado e com materiais separados antes da troca.
- Respeitar os horários de troca do curativo orientados pela equipe de saúde.
- Observar diariamente a pele ao redor da lesão e outras áreas de pressão.
- Evitar apoiar continuamente a região lesionada.
- Fazer mudança de posição conforme orientação clínica.
- Manter lençóis limpos, secos e sem dobras.
- Controlar umidade causada por suor, urina ou fezes.
- Estimular hidratação e alimentação adequada, quando possível.
- Não usar produtos caseiros, pomadas ou soluções sem orientação profissional.
Cuidados importantes do cuidador e do técnico no domicílio
- Não esfregar com força a pele avermelhada.
- Não massagear proeminências ósseas com hiperemia.
- Não apertar ou preencher excessivamente cavidades na lesão.
- Registrar mudanças observadas, como dor, odor, secreção e aumento da ferida.
- Manter o paciente confortável, seco e protegido de novas áreas de pressão.
Alertas importantes no domicílio
Alguns sinais indicam necessidade de avaliação profissional mais rápida e não devem ser ignorados.
Sinais de alerta
- Aumento repentino da dor.
- Odor forte persistente.
- Secreção amarelada, esverdeada ou purulenta.
- Febre ou piora do estado geral.
- Pele muito vermelha, quente ou endurecida ao redor da lesão.
- Aumento rápido do tamanho ou da profundidade da ferida.
- Sangramento frequente ou escurecimento progressivo do leito.
- Sonolência, confusão, fraqueza intensa ou recusa alimentar importante.
Fatores sistêmicos que alteram o prognóstico
- Nutrição: risco nutricional compromete cicatrização.
- Perfusão e oxigenação: vasculopatias e hipóxia reduzem reparo tecidual.
- Glicemia: descontrole glicêmico aumenta risco de infecção e retarda cicatrização.
- Mobilidade e adesão: reabilitação e educação do paciente e da família são fundamentais.
Quando solicitar avaliação multiprofissional
- Lesão por pressão estágio 3 ou 4, cavitária extensa ou piora rápida.
- Sinais sistêmicos de infecção ou suspeita de osteomielite.
- Falha terapêutica apesar do manejo adequado.
- Necrose extensa, odor forte persistente ou exsudato purulento.